posted by FNV on 11:16 PM
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PRESIDENTE DO SETÚBAL PÕE FIM À DISCUSSÃO:
O Presidente do Setúbal iliba o árbitro de qualquer irregularidade na grande penalidade que resolveu apontar ontem ao Futebol Clube do Porto, no Dragão, aos 90 minutos.
A seu ver, o grande responsável pelo que sucedeu (não terem conquistado um empate) foi o jogador do Vitória de Setúbal, que não estava concentrado e se antecipou ao apito do árbitro.
O treinador justifica o desastre na Champions com base na falta de experiência, dado ter sido o primeiro ano da equipa nessa competição. O resto das pérolas (dá para fazer um colar) está aqui.
Adenda: ouvido é muito melhor. Esqueçam o texto da notícia.
O fim do "grande sonho", do futebol e estratégia "muito pobres, muito abaixo das exigências de uma competição com as características da liga milionária", o regresso do Benfica "à vida real" e as exibições do Roberto dão hoje em canal aberto.
Não é preciso ler Marx: para o efeito, Zola e Dickens chegam. As ditas" garantias dos trabalhadores", incluíram - historicamente ganhas contra o capital - coisas como o horário de trabalho razoável, férias pagas, baixa por doença, etc. Noto que a direita inteligente, a verdadeira, a da Bayer, entende essas garantias como tralha marxista dispensável e nociva. O PSD aplaude? Nada como a clarificação.
Noto que muitos raciocinam com se estivéssemos ainda em 2008. De certo modo comprende-se. Não foi apenas o PS que mascarou a situação. A esmagadora maioria da opinião publicada, confortada pela ( então) quinta coluna do PSD, acantonava na "trupe do Pacheco e da Manela" a visão miserabilista de Portugal. Não esperava que esses muitos compreendessem agora a situação e, naturalmente, dispenso as lições de hoje como dispensei as de ontem. Não me assusta a reflexão moral, mas não é dela que necessito. O que está em causa é mobilizar as pessoas para atingir um objectivo comum. Essa mobilização tem de ser transversal à sociedade, porque vivemos ( e vamos viver ainda mais) tempos muito duros. Os cegos , e os malfeitores, estão convencidos de que podem utilizar os antigos códigos políticos, legais e teóricos. Não podem, não poderão. A pobreza linfática que nos vai invadir gerará revolta e desânimo e só um aldrabão o pode negar. Apesar de tudo, uma sinalização colectiva de partilha das dificuldades tem boas posssibilidades de conseguir diminuir o caos resultante desses dois sentimentos. Se forem necessários novos instrumentos, legais ou políticos, que os escolhamos sem receio. Grandes males, grandes remédios. Ou não é assim?
posted by FNV on 8:52 AM
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TODOS TEMOS DE FAZER SACRIFÍCIOS (IV):
Escolas a fazer solidariedade social. Na mesma semana, notámos a excepção açoriana, também protegida pela lei. E outras virão, acarinhadas pelos nababos-rolhas que flutuam em qualquer quadro político. Não se preocupem com o lado moral, preocupem-se com a lei, com o escrupuloso cumprimento da lei. Se tudo correr bem, o povo comerá leis: as vossas.
Este mês, na Ler, o meu artigo é sobre escritores e coisa e tal: criação, destruição , depressão e repressão. No próximo número, uma visão : onde e como estarão os políticos portugueses em 2020. Diverti-me à brava.
posted by FNV on 7:44 PM
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NARCOANÁLISE V ( série 3):
Um aparte: é verdade, uma categoria. E também é verdade que existe uma diferença entre redução de riscos e facilitação de meios, mas as políticas de prevenção podem, e devem, ser reavaliadas. Ficar sentado com a cara enterrada nas mãos é que nunca falha. Por outro lado, os bêbados, os beberrões e os que gostam de vez em quando, apenas têm à disposição as garrafas e os copos. Os miúdos de 12 e 13 anos, por exemplo, não têm nenhum kit safe quando saem à noite Nem uma fralda para amparar o vomitado. O Expresso ( de ontem) lá traz, claro, a habitual missa contra as políticas de droga portuguesas. O estatuto proibicionista, que dura , de forma redonda e mais ou menos global , desde 1962, não conseguiu nada a não a ser a demonstração de que a estupidez humana não conhece limites. Nem num único território, que produz mais de 90% do ópio mundial, enxameado com os melhores exércitos do mundo, a "guerra contra as drogas" foi ganha. Não chega para curar a estupidez. E mesmo que por hipótese a cultura fosse erradicada do Afeganistão, renasceria noutro lado qualquer. Já assim foi e assim será. Nos próximos números, à medida que formos acompanhando a evolução actual das tendências, faremos também um debate sobre a mudança possível. Uma coisa é certa: os anti-proibicionistas que julgam ser possível resolver o problema por decreto, legalizando simplesmente, são mais perigosos do que os defensores do estatuto actual. Nenhuma política de droga terá sucesso se não for estabelecida , primeiro, uma política de produção . Basta conhecer o histórico do drug control. Lá iremos.
Qualquer dia há laparotos que entraram para o PSD pela mão de Sá Carneiro depois de ele ter morrido. São vidas. Este homem fez parte do meu quotidiano porque era execrado em minha casa. Por coincidência, ainda miúdo, cruzei-me com ele em duas ocasiões: no Reids, na Madeira, e no Balaia, no Algarve. Da televisão, recordo um olhar exuberante e generoso esmagado por uma voz ( mais o tom) sibilina. A edição de Miguel Pinheiro não acrescenta muito, no plano político, à de Maria João Avillez. Um ponto, contudo, está bem desenvolvido : a longa ausência em plena pré-campanha para Constituinte. O que não diriam muitos dos perfurantes analistas políticos de hoje, de um líder deprimido, ausente entre Londres e o sul de Espanha, em plena bagarre eleitoral. No plano psicológico, o livro de Miguel Pinheiro é muito bom. Fica claro que Sá Carneiro era um déspota e dos puros. A tal ausência, a depressão, deveu-se ao desencanto. As coisas não correram como ele queria e amuou. O estilo conflituoso, que tanta falta faz, também bebe na mesma fonte e prova que líderes de alcatifa apenas conduzem os povos ao chão onde se prega a dita. Um factor, pessoal , novo para mim : que grande e corajosa mulher foi Isabel Sá Carneiro.
1) Os andrades andam inquietos porque sabem que o 5-0 foi um epifenómeno. Agora esmiuçam todos os jogos do SLB ( já lhe cantavam o nome). "Olha lá: aquele defesa que perdeu a bola para o Saviola não é primo do vizinho do Diamantino? Ou: "Já viste que a águia Vitória deu duas voltas sobre a baliza da outra equipa e fez um mortal à rectaguarda por cima da cabina do 4º árbitro". Uns exegetas.
2)No FM aprendemos que não se mexe muito numa equipa campeã.E se se mexe , por força do mercado, tenta-se manter a rotina das funções e compram-se jogadores em consonância. O nosso problema não é filosófico: chama-se Roberto-entregaste-9-pontos-no-início-da -coisa. O Viegas, espertalhão, lançou a treta do bode expiatório. Experimenta começar com 9 pontos de atraso e depois telefona-me se eu atender.
3) O senador-referência-moral-tem-dias-depende-de-quem- é-escutado Rui Moreira indignou-se com o arremesso de maçãs no quintal de Alvalade. Ó meu rico: golfe é para os ricos. A casa-mãe indignou-se porque alguém do SLB terá ameaçado o jornalista da TVI que incomodou Jesus. Correcto: nem uma pernita partida ou um carro pontapeado ( a propósito: esse inquérito sobre as agressões ao Adriaanse está muito adiantado ou quê?) .
4) Falcão: se fosse nosso era o novo Nené.
posted by FNV on 12:28 PM
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DEPRESSÃO-REPRESSÃO ( XIII):
Tudo no mesmo ano: cancro, divórcio, despedimento. E embala para uma série de crónicas na rádio e um livro. Se o quiserem ver e ouvir contar os detalhes, têm uma reportagem da RTP ao alcance do teclado. Prefiro recomendar este texto. É contido e delicado. A história confirma o que tenho aqui escrito - somos insaciáveis - e confirma outra coisa que me obceca ( é o tema do meu artigo da Ler deste mês como foi tema de muitos textos nos meus livros): o que opor à destruição? A criação. Claro que uma bretoniana Beretta 6.35 também será muito criativa.
Uma coisa é a ( legítima) conversa de chinela, outra é a argumentação política contra Cavaco, esta semana, assentar no facto de o homem ter declarado à PIDE que não se dava com a mulher do sogro. Sim, leram bem, foi (re)publicado no CC, blogue assumidamente político e pró-Alegre. Só opino sobre o uso deste género de arma no combate eleitoral: estão a fazer Cavaco ganhar votos em rincões insuspeitos ( então se chegam à sogra nem vos digo nada). Têm a minha solidariedade.
posted by VLX on 11:58 AM
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TODOS TEMOS DE FAZER SACRIFÍCIOS (III):
O que aí vem é o mais próximo do que alguma vez estivemos , desde que há telefone, de uma guerra em termos do impacto que terá na sociedade portuguesa: mudanças reais e drásticas na vida quotidiana, tensão social extrema, queda de alguns mitos, questionamento de certezas tidas por imortais. Políticos de plástico têm utilizado a expressão de Churchill " sangue , suor e lágrimas". É difícil compreender que se peça sacrifícios às pessoas se esses sacrifícios não forem distribuídos. E as palavras não podem, em alturas destas, ser tão estupidamente vãs. Essa parte do discurso, proferido em 13 de Maio de 1940, na Câmara dos Comuns, até foi "nada tenho para oferecer senão sangue, trabalho árduo, lagrimas e suor". "Trabalho árduo" ( toil) não estava no discurso por acaso. Se mobilizamos as pessoas para uma batalha difícil, se as pessoas vão sentir enormes dificuldades para pagar contas que há dois ou três anos pagavam despreocupadamente, se outras vão literalmente passar fome, o lado simbólico, que tanto elogiam em Churchill, tem de ser respeitado. Pagar ordenados principescos a funcionários políticos para dirigir uma exposição de cultura ou ver grandes accionistas receber a totalidade dos dividendos como se não se passasse nada, se simboliza alguma coisa é a hipocrisia política. A conversa da partilha dos sacrifícios será, temo bem, um grande embuste. Ao mesmo tempo que os salários serão cortados e as instituições de solidariedade social verão os seus recursos extintos, teremos notícias como "venda de Ferraris aumenta 20%". Tudo perfeitamente legal, estou certo, mas então não nos mintam.
Diz o Vasco( post anterior) que o Estado rapa tudo. Seja. Conheço muito boa gente que trabalha desalmadamente e que viu o ordenado rapado, o custo das coisas aumentado e o destino lixado. Zangam-se? Talvez, mas ao contrário das sociedades comerciais não podem fugir para paraísos fiscais.
Prefiro seguir Ratzinger ( ou Adam Smith) -não ao capital sem um mínimo de moral - e ir um pouco mais além: estamos todos no mesmo barco ou não? Não duvido da existência do risco de fuga do capital, mas também não duvido da esferovite social que representa este egoísmo de albardar os sacrifícios sempre nos mesmos. Que espécie de sociedade é esta que, quando as coisas apertam, dá a uns o direito de escapar e impõe a outros o dever de sofrer?
Acrescente-se que as comparações feitas com a poupança do IVA no carro do vulgar cidadão demonstram os pés de barro da tal "dimensão social" do empresariado.
São tantas as empresas públicas que gravitam na órbita do Governo que eu me pergunto: e o Governo, serve para quê?
posted by VLX on 2:26 PM
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A NACIONALIZAÇÃO DOS DIVIDENDOS:
A distribuição de dividendos da PT é perfeitamente legal mas a avidez de certa classe política não quer ver isso: limita-se a pretender extorquir o que não é seu. No fundo, querem nacionalizar os dividendos. Gamar. Já nem é rapar o fundo do tacho: é pilhar o próprio tacho. Vêem ali um porquinho mealheiro e toca a roubar o dito, para resolver o problema que criaram, sem pensar nas consequências do gesto. Mas será que esta gente é doida? Não pensa? Não vê que semelhante coisa só serve para as sociedades fugirem outra vez do país? E o que virá a seguir? Proibir as pessoas de comprar carros para esperarem pelo fim dos subsídios ao abate e aumento dos impostos? País de doidos...
declaração de interesses: não tenho uma única acção da PT e a única coisa que me liga à dita é um aparelho fixo que anda lá por casa quase sem uso e pelo qual me cobram um aluguer criminoso.
Blogues diferentes e propostas diferentes ou até textos inesperados em blogues habituais. Comecemos a série com o fabuloso Israel Sktechbook do consagrado Ricardo Cabral.
Isto aconteceu por volta de 1975-76, tinha eu dez anos. Recordo-me como se fosse hoje: a minha mãe a chegar com o Paris-Match que trazia a história e as fotografias. Nunca esqueci os humanos a fotografar um humano que é devorado. E as bestas são os leões.
E está lá um neo-PSD ( mas já com currículo de cata-vento) que dizia de Cavaco o que Maomé não dizia do toucinho ( "Quem é esse gajo? Doutoramento onde? Numa merda de faculdade que ninguém conhece? Um parolo", etc). Sei-o porque mo disse a mim . E várias vezes.
Uma "investigação" da revista Sábado sobre a integração de Cavaco no Estado Novo. Assim como uma investigação que descobre que a terra é redonda e que os portugueses já elegeram Cavaco quatro vezes. Bem, se o PS, que já teve Veiga Simão e Freitas do Amaral no governo, só oferece isto, é caso para oferecermos nós solidariedade a Alegre.
posted by FNV on 10:16 PM
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PARA A LAREIRA (III):
Sempre baratos os velhinhos fundos da INCM. Desta vez, um título de 1992: "Um judeu no desterro - Diogo Pires ( 1517-1599)e a memória de Portugal", de Carlos Ascenso André. O percurso biográfico é o habitual num judeu escorraçado, os motivos eram os da época ( há sempre motivos para odiar judeus) , mas a paragem mais interessante é na Croácia, em Ragusa, hoje Dubrovnik. Depois, epitáfios de portugueses, odes a rios e a cidades ( a Coimbra "antes morada de Reis agora residência de ninfas")e a poesia possível. Trabalho apaixonado de Carlos André.
posted by FNV on 9:29 PM
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DEPRESSÃO-REPRESSÃO ( XXII):
Antecipar o fim ou aguentar , numa trincheira branca, os últimos dias? A favor da primeira: o comando é nosso, a dor é apenas mental. A favor da segunda: sermos recordados como dignos na morte. A escolha é óbvia. Só que não é. Na maioria dos casos acabamos por escolher a segunda. Não por bravata ou ânsia de uma espécie de posteridade privada. Somos apenas tão insaciáveis nos dias de guarda como fomos nos belos dias do desperdício.
posted by FNV on 9:09 PM
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NARCOANÁLISE IV ( série3):
Esta rede desmontada em Espanha é exemplar. Mostra várias coisas sobre o médio ( o do retalho) narcotráfico: a mobilidade, a organização, a flexibilidade e a adequação às exigências do consumidor. Não mostra, quer dizer, não está na peça , outra coisa que existe e da qual que ninguém gosta de falar: o nível de corrupção de que uma rede destas necessita. Pressentimo-la no México, no Brasil ou em Cabo Verde, mas negamo-la na Europa. Isto ( 3º e 4ºs parágrafos), comparativamente, é uma brincadeira e só seria notícia escandalosa se o governo brasileiro fosse da temível direita securitária. Quem estuda a Prohibition ( "Lei Seca") aprende depressa o nível de corrupção que infectou a esfera judicial, política e mediática. Não pode ser de outro modo. Há muito dinheiro, há muita operação encoberta e há o sentimento generalizado de impotência. Em Portugal, os poucos casos conhecidos, que envolveram PJ, PSP ou GNR, não tiveram eco mediático. E , francamente extraordinário, não temos notícia de políticos, advogados ou jornalistas acusados de envolvimento no narcotráfico. Por que é que é extraordinário? Porque somos um dos principais pontos de recepção e distribuição da cocaína europeia.
Mar de opinioes, ideias e comentarios. Para marinheiros e estivadores, sereias e outras musas, tubaroes e demais peixe graudo, carapaus de corrida e todos os errantes navegantes.