Foi a" Liga do dr. Ricardo Costa" que acabou com o Boavista, não foi?
Felizmente que neste caso houve um tribunal sem o "problema técnico" da validade das escutas.
No outro dia, dizia a um amigo que tenho de intervalar o Público com o Correio da Manhã para, em matéria de costumes, não ficar preso à problemática dos palestinianos transexuais.
2) Os mariachis sem bigode ( ver comentário do nosso Prof.Dr. Pedro Caeiro no número anterior desta série) estiveram benzinho excepto na garra, onde estiveram óptimos. O Peixoto voltou ao mesmo. Ainda bem. É que na passada quinta-feira acordei mal: tirei a louça da máquina e ia fazendo a cama ( ainda sacudi uma almofada).
3) O Spórtingue é o farol do país: o Caneira , jogador do sr. Barbosa, passa lá férias e ainda lhe pagam 850.000 euros/ano.
Apesar de tudo, os dois principais partidos não mudam. O percurso contiua o mesmo. O jovem líder da Jota local , depois de licenciado, roda pelos institutos da juventude, empresas municipalizadas, vereações talvez. Vai ganhando barriga enquanto balbucia generalidades, telefona um milhão de vezes e come uma tonelada de carne assada. A página tantas, candidata -se e ganha a concelhia e depois a distrital com um discurso de "mudança". Está feito como importante personagem regional. O percurso referido sobrevive numa mecânica de contactos informais - afinidades pessoais, filiações avulsas - mas também formais: não raro, um membro do partido apadrinha o jovem-velho e triangula influências. Por exemplo, em eleições partidárias, o sénior apoia o sr. A enquanto o júnior se bate pelo sr. B. Isto permite construir um tabuleiro de oportunidades amplo e estável na sua reciprocidade. No final da história, temos alguém que nunca conseguiu nada fora do aparelho partidário, mas que aparece, por volta dos quarenta anos, como um valor seguro . Está pronto para funções executivas , de representação ou, na pior das hipóteses, de relevo nacional no partido.
Ontem, na SIC-N, uma magistrada do MP apresentava o seu livro sobre a gente comum que sofreu às mãos da PIDE. Muito bem. O que eu ando fazer, nas sobras do tempo, é descobrir o que já se publicou em Portugal sobre os magistrados que transitaram de um regime para outro. Assim numa perninha como quem não quer a coisa. Depois dou notícias.
Ainda está frio e frio rima com forno. As panelas de barro e as grandes travessas dispensam empratamentos laricas com desenhos de reduções de sub-vinagre balsâmico.São compostos que trazem a cozinha para a mesa. Não por acaso, nos grandes tempos, a travessa ou a panela chegavam à sala com a cozinheira agarrada como uma rémora. A bem da verdade, quem chegava primeiro eram os aromas, que se escapavam da cozinha e anunciavam a boa nova. Há cortes baratos que permitem aquecer três coisas: o espírito, a cozinha e o estômago. Termostato a 100º durante seis horas. Parece caro mas a cozinha fica aquecida e o forno faz duas ou três refeições de uma vez. Uma panela de barro fundeada em azeite. Alho porro, alhos e 2 a 3 quilos de chambão de vaca. Meia garrafa de vinho tinto. Cheiros. Rosmaninho, alecrim e tomilho-limão, essa erva com que as divindades nos fazem pirraça. Uma volta de pimenta, colorau discreto, sal, meia de louro e um cochinho de água para desmaiar o vinho. O tempo passa e a panela resiste. O que as horas e os cuidados fazem às fibras nervosas do chambão é o mesmo que os anos fazem às paixões: excitam-nas.
posted by FNV on 11:30 PM
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CONVERSAS EM VOLAPUK:
1) Os anti-Mubarak adoram jornalistas , são ordeiros, pacíficos e usam penicos como capacetes. Aqueles valentes que foram apeados dos camelos e linchados por uma turba? Nunca aconteceu. 2) Os adolescentes boboportugueses em crise de causas, mais conhecidos por jornalistas-bloggers , têm desenvolvido teorias faraónicas sobre a absoluta necessidade de Mubarak dar de frosques agora já imediatamente e depressa. Deve ser da água da rede, mas até ao início de 2011 não me recordo de ter lido tais teses , reportagens, posts ou artigos de opinião.
O Luís Serpa em boa (e sintética) forma. Já foi tempo de debate nos blogues. Agora estamos assim, neste nível argumentativo sub-adolescencial, nem nos damos ao trabalho de explicar.
Cultuamos uma forma perversa de crítica social. Quando isto acabar, e se constatar o que realmente foi, choverão as críticas. Com sorte, alguns, como Sampaio, estarão na fila da frente dos críticos. Foi assim com muitas outras realizações estapafúrdias ou opções catatónicas.
2) No Irão: uma cyber police. Bem ao gosto dos islamofascitas portugueses. A propósito: no outro dia, um comentador interpelava-me porque o termo seria desajustado , talvez por ser aplicado a supostos radicais da esquerda libertária ( no papel) . Não é. Se Franco e Salazar eram fascistas porque perseguiam comunistas, é bom recordar que os comunistas do Tudeh e os esquerdistas do e-Khalk foram dizimados pelos esbirros de Khomeini.
O resto não discuto, mas é bom que as pessoas saibam que muitos meninos saem da D.Maria para as privadas contíguas apenas para ter melhor notas. A TSF ainda deve ter o registo da entrevista ao ( então) presidente do conselho directivo, lá pelos idos de 2007/8, na qual o homem pedia desculpa pelo nível de exigência da escola: " Não somos elitistas".
Vou procurar o post que publiquei na altura. Uma história deprimente.
1) Não me canso de escrever isto: quem quer ganhar os jogos ganha quatro pulmões e oito pernas ( eu que o diga). De resto, um jogo normal.
2) Entrar com o Peixoto equivale a usar gás nas trincheiras do Somme. Eu, se estivesse no lugar de Vilas Boas, também ficava abananado. O que fazer? Máscaras? Ignorá-lo? Amuar?
3) Nova rima tripeira : se fuôr o Coentrõn, duas faltas dá expulsõn.
4) Dias não são dietas: vou cear duas tostas de tomate e stilton duplamente derretido e duas cervejas lá pelas duas da manhã.
5) Deve ser o novo estilo Ferrero Rocher. Os jornalistas começam todas as perguntas a Vilas Boas deste modo: "André, perdoe-me pôr-lhe assim a questão..."
Um barbudo, hoje, no Cairo: "Mubarak rouba ao povo e dá a Israel". E esta: "Sinagoga queimada na Tunísia".
posted by FNV on 1:03 PM
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COISAS QUE NÃO PERCEBO:
Se, como a maioria dos benfiquistas diz, a sua equipa está hoje muito melhor do que no período que foi da derrota na Supertaça até aos cinco a zero no Dragão, então é porque se reconhece que a equipa, na altura, estava má.
Assim sendo, por que razão se andou a culpar as arbitragens?
A TSF está muito aborrecida, porque os militares não estão a disparar sobre os apoiantes de Mubarak. E também está muito indignada porque parece que a praça da libertação é reservada para os contra-Mubarak. Esta malta da TSF faria um sucesso nos tempos do Pravda ou do DN do Estado Novo.
1) Tenho dito, desde a época passada, quando tudo corria bem, que o Benfica não tem força mental. É uma equipa que acrescenta às adversidades do jogo um amok anímico que a impede de reagir. Isto deve-se a ausência de uma cultura de clube ( que está um bocadinho melhor mas não chega)e ao desprezo a que Jesus vota estes aspectos.
2) Assim sendo, o Hulk não me mete medo. Se Jesus quiser ressuscitar a chama, é entrar ao ataque, coisa que fazemos como ninguém em Portugal. Se entrar com dois trincos, lentos e pesadões, leva que contar. E leva bem.
3) Recordo a final da Taça de 1959. Ganhámos 1-0 com golo de Cavém e vingámos a perda do cameponato para o FCP . Umas semanas antes, apesar de termos ganho por 7-1 à CUF, numa injustamente criticada arbitragem de Inocêncio Calabote, o FCP , curiosamente, ganhava também por 3-o* ao Torriense ( com uma arbitragem nunca esmiuçada) o score exacto que precisava para ganhar, como ganhou, vantagem no goal average.
* corrigido graças ao justiceiro azul aí em baixo.
Este mesmo autor , trotskysta, ridicularizava os relatórios da CIA, anteriores à revolução, que asseguravam longa vida e estabilidade ao regime do xá. Tinha, no entanto, razão quando referia que o ponto crítico da fermentação revolucionária se deu quando as mesquitas se tornaram o único local onde os iranianos podiam discutir livremente sem ter a polícia à perna. Julgo que podemos ver nos movimentos tunisinos, jordanos, sudaneses e egípcios, uma causa comum; a falta de dinheiro. Muito mais do que grandes aspirações democráticas, ou o apelo de neo-intelectuais orgânicos, é o empobrecimento que está a gerar a revolta. Isto ajuda a explicar que mecânicas semelhantes ocorram em realidades tão diferentes como as referidas.
Por último, é interessante notar que no Irão pré-revolucionário também o factor económico foi decisivo. Por um lado, a proto-industrialização do país gerou uma massa razoável de carenciados ( pois é...) , por outro, o Xá confiscou os bens das estruturas religiosas.
O Bloco diz isto e aquilo, mas não pôs lá os pés. É muito longe do Bairro Alto.
posted by FNV on 1:28 PM
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"OS JORNALISTAS PODIAM DIZER QUEM LHES ENCOMENDOU A CAMPANHA SUJA":
Pois podiam, mas não podem. Cavaco Silva, depois de ter ganho, mostrou que cumpriu a lei no caso da siza de não sei onde. Vejamos. A campanha podre inventa o que quer e os lanceiros rosnam impropérios. CS nega as acusações, mas recusa, logicamente , transformar a campanha numa discussão sobre as invenções das procelárias. Depois das eleições, como sempre disse que fazia, demonstra os factos. Conclusão do comentador-jornalista convidado pela TSF: "Vem tarde".Ou seja, se se tivessem lembrado de acusar Cavaco de pedofilia, homicídio e contrafacção, a obrigação do homem seria a de ter passado toda a campanha a defender-se. Talvez com recibos de portagens, testemunhas arroladas, etc. A TSF ( naturalmente) quis ouvir o "vem tarde", mas não quis saber como se propalou a calúnia. Sendo uma corporação de jornalistas, e tendo convidado um jornalista para comentar a nota da Presidência, não quis saber.
posted by FNV on 11:00 AM
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PARA A LAREIRA (X):
Já aqui lhe fiz referência, mas nem todos são como Marcelo Rebelo de Sousa, que lê cinco livros por dia e por isso só agora o recomendo, já devidamente mastigado. Rilke, Pasternak e Tsvetaieva - Correspondence a trois, Gallimard , 1981. Foi reeditado em 2009 e foi muito bem. A troca epistolar abraça o período 1926 -1927 e os três estão mais do que separados: estão isolados. Tsvetaieva está em St Gilles, França, Pasternak em Moscovo e Rilke em Glion , Vaud, Suiça. Ela faz de menina rabina entre os grandes, mas são dela as cartas mais apetitosas. Não, não há vida privada, é só literatura, um pedaço de política e filosofia geral. A página tantas, Pasternak confidencia a Tsvetaieva: Imaginas-me melhor do que sou. Tenho uma caverna cheia de traços femininos". Hoje seria apedrejado , não seria?
Mar de opinioes, ideias e comentarios. Para marinheiros e estivadores, sereias e outras musas, tubaroes e demais peixe graudo, carapaus de corrida e todos os errantes navegantes.