PARABÉNS E OBRIGADO: A poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen tem-nos acompanhado desde o início da nossa aventura bloguística. A presença do mar na sua Poesia e a beleza e o lirismo dos seus poemas têm feito das suas palavras faróis desta frágil embarcação. Ontem foi premiada com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Ficamos muito felizes. E agradecemos-lhe o facto de nos ajudar quotidianamente, com os seus poemas, a «atravessar o deserto do mundo».
O poema
O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
Mar de opinioes, ideias e comentarios. Para marinheiros e estivadores, sereias e outras musas, tubaroes e demais peixe graudo, carapaus de corrida e todos os errantes navegantes.