ESCOLHAM: Não sei quem será mais imbecil: se os que entendem que todo o incendiário é uma vítima da comunidade, se os que em vinte anos não aprenderam nada: Vale de Canas, em Coimbra, ardeu da mesma forma, andava eu na faculdade, há mais ou menos 20 anos. Mas depois, nos jornais e nos blogues, quase todos têm fórmulas mágicas e soluções evidentes. Pena é que quando estão no parlamento, nas câmaras, nas direcções-gerais, o chapéu do professor Pardal não funcione. É sempre mais fácil desancar o Portugalzito saloio, claro.
Até agora, os partidos políticos angariavam votos na classe média alta, entre os tristemente apelidados "líderes de opinião". Essa gente, que estava em contacto com o povo ignaro através da conversa de café, dos bons dias à porteira, ou do ocasional encontro com a mulher a dias, encarregava-se de pedir aos pobres que conhecia para porem a cruzinha no PS ou no PSD. Tinhamos assim uma espécie de monarquia constitucional, como a que descreve o Júlio Dinis, com o poder dividido entre os senhores doutores e os regedores. Para o povo, restava a obediência ao cacique local. Nem os media, em geral, nem os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa, em particular, mudaram muito esse equilíbrio tão benevolente.
O que mudou foi o país. Hoje em dia, a classe média alta, que lê o "Economist", compra o "El Pais" ao sábado e consulta o "New York Times" na Internet, está um patamar acima do nível médio dos seus políticos. Estes andam manifestamente ocupados a dividir os despojos do Sector Empresarial do Estado, ou a ir a banhos enquanto o país arde. Não é que nós, urbanos, alguma vez tenhamos dado muita atenção aos incêndios: parecem-nos tão remotos como a fome em África, que nos chega com o seu cortejo previsível de miseráveis a chorar. Também não nos passa pela cabeça condenar os safaris de Sócrates, que tem todo o direito de gastar o seu dinheiro onde lhe apetecer (e tem o bom gosto de não o fazer em Cancun, em Pipa ou no Natal). O problema não é esse: o problema é o "aparelho", com o seu cortejo de incompetentes, que está novamente a tomar de assalto os conselhos de administração e os gabinetes ministeriais. Nenhum eleitorado consciente de si permite que o dinheiro do seu IRS seja delapidado com a alegria que o Partido Socialista sempre põs naquilo que sabe fazer bem.
Maria de Belem confessava há dias que anda muito entusiasmada a ler o "Código da Vinci", pela segunda vez. Quem quer convencer um pobre a pôr a cruzinha em Maria de Belém?
É pá, não suporto estes gajos que se julgam intelectuais e vem para os comentários dos blogues fazerem publicidade aos seus blogues, como é o caso do sr Luís Jorge, dono do primeiro comentário
Os comentários são copy/pastes dos seus posts, se calhar nem sequer lêm o post original, que não tem nada a ver com os comentários.
Parece-me que o único frustrado aqui é você, meu caro.
Eu tenho um novo blog, que escrevo em meu nome e para o qual, naturalmente, desejo leitores. (E para isso procuro-os nos blogs que também gosto de ler). Você, em compensação, faz uns comentários anónimos a denunciar não se sabe bem o quê. O seu comentário tem mais a ver com o post deste blog que o meu? Não, não tem. Então qual é o seu problema? Está com inveja por eu ocupar o meu espaço melhor do que você?
Não é a falta de atenção que é uma merda. A raiva deslocada é que é uma merda.
Anónimo, para não ser confundido com pseudo-intelectuais como vossa Excelência. Também tenho uma password para o Citador, e também posso fazer muitas citações, o que não me faz um intelectual.
Bem, o Paìs Portugal não entra de férias pois não? Porque carga de água quem "manda" em nós e quem nos representa vão de férias para o bem bom enquanto o "Portugalzito saloio" fica a "arder"?
Soluções? Para mim, passa muito pela prevenção e não pela cura. Metam os presos a limpar as matas e afins! Metam os nossos soldados "da guerra" a limpar as matas e afins em vez de irem para Kosovos e essas tretas em missões de paz...
Hoje apareceu-me um "professor pardal" na tv com uma caixa de madeira para por nos "nossos" c-130s.
" António Quintas trabalha na hotelaria mas, nas horas vagas, gosta de criar projectos. Ano após ano tem imaginado formas de combater os fogos florestais, pois considera que os meios utilizados no combate "não são suficientes". Conforme disse à agência Lusa, além de "insuficiente", a forma como os fogos são combatidos é "muito dispendiosa", podendo "ser mais eficiente e muito mais barata." in DN
A titulo de curiosidade, na Australia em 2003/4, houve 6.000 incêndios nas matas e morreram 7 pessoas.
Mar de opinioes, ideias e comentarios. Para marinheiros e estivadores, sereias e outras musas, tubaroes e demais peixe graudo, carapaus de corrida e todos os errantes navegantes.