FOGOS E DESNORTE GOVERAMENTAL: Parece continuar tudo maluco. Dizem-me (não vi) que o MAI anunciou grande medida de combate aos fogos: vai alargar o período da época de incêndios, imagina-se que até ao fim das vindimas ou mesmo chegadinho ao S. Martinho. Se é isto que o Ministro tem para nos oferecer, estamos conversados. Sugiro-lhe que tente também acabar com os fogos por decreto, pode ser que dê. Ah, o MAI vem ainda com outra: acha que os juízes deverão "afinar" a prisão preventiva dos incendiários. Pois. A culpa é toda dos juízes. O facto de não se carrearem para o processo provas suficientes da culpabilidade dos suspeitos de incêndios não interessa nada, não é? Perceberá o MAI alguma coisa do funcionamento dos tribunais? Pois é, logo vi. A propósito, como se articula isso com o desejo do Ministro Alberto Costa de responsabilizar os juízes no caso de erro na determinação de prisão preventiva? Ficam safos no caso de incendiários e pagam nos casos de pedofilia? É espantoso o desnorteamento deste governo e a demonstração evidente de como trabalham em cima do joelho, dizendo para o ar e sem pensar o que lhes vai naquelas cabecinhas. Não pressagia nada de bom.
Há quase um mês atrás, escrevia eu na minha amostra de blog o seguinte: "Overnight Alguns ministros parece terem umas idéias overnight. De manhã acordam com uma solução que se lhes ergueu durante a noite, como coisa insofismável, definitiva. Apesar da rápida gestação, não se coibem de a dar à luz com pompa e circunstância, com a certeza de uma desconhecida razão. A medida é imposta. Imposta sem discussão! Chovem as críticas, válidas umas e nem por isso, outras. Das válidas retira-se a evidência da imprestabilidade da medida imposta. O ministro, porém, não desarma. As razões, que a razão desconhecia, fundamentadoras da decisão-medida são agora transformadas em "compromisso político", no discurso legitimador do ministro. Compromisso político! Já não importa questionar se a medida tomada ( e que será transformada em decreto-lei) é necessária e se é a medida correcta, tomada no tempo certo. Agora há uma nova razão para a tomar, independentemente de tudo o mais: O "compromisso político"!
Sabem do que precisamos? Não é certamente desta gentalha: É de bons gestores! Pura e simplesmente BONS GESTORES da coisa pública. Com o actual sistema partidário e a conjuntura corrupta e clientelar a que chegaram só podemos esperar o pior. Reinvente-se a política e o modo de gerir a coisa pública em Portugal.
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