HOMENS DE PAZ E DE ESTUDO: Frei Manuel do Cenáculo, da Terceira Ordem de Portugal, possibilitou o trabalho arabizante ( na expressão de Pinharanda Gomes*) do judeu marroquino Abraão ben Isaía, mais tarde conhecido como Paulo de Carvalho e professor dos frades terceiros. António Abrantes Baptista foi o autor do primeiro livro de língua árabe publicado em Portugal em caracteres árabes, em 1774. É bem verdade que muitos caminhantes portugueses como Fr. João dos Santos ( que já aqui trouxe em tempos ao Mar Salgado a propósito da sua memorável Etiópia Oriental), Sebastião Manrique ( no outro lado do mundo) ou Jerónimo Lobo funcionaram mais como cartógrafos ou geográfos do que como filósofos. Mas abriram caminho à curiosidade pombalina, que Pinharanda classifica e bem, de ambígua. Mas Pinharanda desculpa/acusa o Marquês a pretexto da sua formação vienense, forma educada de dizer bárbara-cartesiana. Talvez, mas hoje já não há desculpa para reduzir o tafaqquh a uma seita de incendiários.
* Refiro-me ao trabalho de Pinharanda Gomes, A Filosofia Arábigo-Portuguesa, Guimarães Eds, 1991. É um livro um pouco esquecido na blogosfera ( contudo o www.afixe.blogspot.com referia-o há tempos num debate sobre uma asneira de um blogger) mas que merece ser divulgado, se me permitem a prosápia.
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