CONSPIRAÇÃO PORTUGAL: Isto de nos terem posto a viver numa península com os espanhóis como vizinhos, também tem que se lhe diga. Por que é que não nos puseram mais a norte, com lagos e renas? Ou mais a sul, sentados sobre lençóis de petróleo? Ou num continente cheio de índios para exterminar? Ou na jangada do Saramago, que permanece convenientementeamarrada? Como se explica termos o Viriato e o Hermínio Martinho em vez do Guilherme Tell e do Lenine? Ai não vos apetece investigar, não é? Pois, também me parecia.
Mas temos a família Soares. E é só nossa. E quando viajam todos temos sempre o incontornável Almeida Santos. Concluindo a tese: somos favorecidos nesta latitude. Agradeçamos.
Resolvi encontrar resposta. Sim, pois esta questão incomoda-me! Afinal sou portuguesa e tenho orgulho nacional! Também exibo a minha bandeira na varanda! Comecei pela Torre do Tombo. Lá estaria certamente a solução do enigma. Mas, depois de dias e dias de busca exaustiva e já em desespero dei-me por vencida. Nada! Que intrigante! Como é possível que quando queiramos um qualquer documento ele não apareça? Nunca existiu (?!). Só me apetecia obedecer ao desalento, deitar-me no sofá e ouvir uns fados... Fados, não... Tourada? Se pelo menos pudesse colocar à frente do touro a minis.... Decidi ir a Fátima! Não é o que os portugueses fazem? Talvez conseguisse obter algumas respostas.Afinal é o meu país, estou cansada de que ele seja considerado uma extensão de Espanha e assusta-me a ideia de um casamento entre casas reais(aquela visita de Cavaco e a surpresa do anúncio da gravidez foi muiiiiiito oportuna....). E lá fui. De carro, pois. A pé demora muito e a minha ansiedade não o permitia. Senti-me de novo animada, mas não tanto como aquele grupo de peregrinos que vi no caminho. Até levavam um galo pintado com corações,vejam lá! Já em Fátima, ía eu a caminhar taciturna pela Cova da Iria, a matutar, quando , como que uma alucinação, os meus olhos se deparam com a seguinte cena: Uma árvore e uma linda senhora de longas vestes sentada no chão a chorar convulsivamente. Do seu lado esquerdo um caroço de maçã e do direito um mapa-mundo. Reconheci-a dos meus velhos livros de História - Geo, a deusa. Na árvore, num ramo, uma serpente a ler um livro. Não consigo ver qual é... Lê em voz alta: « Homens perdoai-lhe porque ele não sabe o que faz!» E nesse instante ouve-se vinda do céu uma gargalhada profunda e sinistra... Querem investigar? Bem me pareceu. Meto-me no carro, ligo o rádio. Nas notícias dão a conhecer o ranking dos países europeus com mais acidentes na estrada e Portugal está no topo. Desligo o rádio. Passo por uma fábrica e vejo uma manifestação de trabalhadores que foram despedidos. Triste, ligo novamente o rádio. Ouço uma canção de Zé Cabra e, alegre, vou a cantarolá-la até casa. Ai...é tão bom ser português..
Mas sempre conseguimos ficar à beira mar plantados. E poucos são os que conseguem ter uma Padeira de Aljubarrota na sua história. daquelas que correm os galegos à pazada.
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