FOTOGRAFIAS: Poucas coisas ilustram melhor a ambivalência face à perda. Pegamos nelas e os dedos fazem sempre aquele gesto obscenamente dissociativo de as afagar, prova provada que somos todos - pelo menos um bocadinho - esquizofrénicos. Enquanto vamos perdendo e envelhecendo elas permanecem cruelmente iguais, ilustrando a medida exacata do gasto. E o mais estúpido, e o mais humano, é que na altura em que as fizemos só estava alegria no ar. Na melhor das hipóteses, elas são prestações de um empréstimo mortal.
Aqueles instantes mágicos. as minhas periquitas e aqueles dias memoráveis. Só uma lágrima. a da ternura. as fotos estão aqui. olho só por um segundo. só um. o do reconhecimento. as memórias preenchem-me a alma e ela transborda.sinto-me um ser privilegiado. fotos minhas,cada vez menos. as obrigatórias dos documentos oficiais. não quero estar dependente de empréstimos. é muito doloroso pagá-los.
Mar de opinioes, ideias e comentarios. Para marinheiros e estivadores, sereias e outras musas, tubaroes e demais peixe graudo, carapaus de corrida e todos os errantes navegantes.