MENINOS (II): Dantes os filhos vinham porque sim ou porque eram necessários, hoje vêm por prazer ou quando já não são inconvenientes. Esta nuance permitiu a ascensão dos psicólogos e dos especialistas em educação, como é evidente. As crianças nascem mimadas como animais de cobrição, e bem, pois são cada vez mais raras. Nos hemisfério norte passa-se esta coisa curiosa: damos à luz cada vez menos petizes, divorciamo-nos cada vez mais. Ou seja, o investimento é difícil e precioso mas aparentemente suportável por apenas um dos membros do casal. A cultura adolescencial - radical na defesa de instâncias envernizadamente estéticas como os direitos das doninhas, o culto do corpo, o desporto, a emotividade - é o recurso de sobrevivência imposto pela factura do abandono. Tudo à superfície, livremente, é certo; tão certo como nos sentirmos estranhamente desejados e rapidamente descartados.
Você espanta-me cada vez mais! (Perguntará porquê, mas eu cá sei). O que a vida me tem ensinado fez-me entre outras coisas PASMAR com a absoluta ausência de espírito crítico de todos (sociedade, poderes instituídos e particularmente a LEI, cujos meandros, analisados à lupa, não são definitivamente da "civitas" evoluída que reclamamos). Achamos que tudo isso é o preço da modernidade e da abertura e do blá blá blá blá pseudo inteligente que todos conhecemos e sabemos decor. Mas eu nunca vi (ou quase nunca vi) ninguém "désangagé" pôr o dedo na ferida. Que tempos e que devir estamos nós a construir convencidíssimos (-érrimos) da nossa liberdade?
Olhe, continue. Estou deserta pelo resto, a sua coragem promete.
Completamente de acordo, tanto que tomei a liberdade de trancrever com devida e regular citação o seu Meninos(1) Asminhas amigas, divorciadas e solterias gostaram ou, pelo menos, sentiram. Bem haja.
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