PENSA RÁPIDO:Comecei a trabalhar como psicoterapeuta em Montpellier, em Novembro de 1989. O que aprendi em 17 anos? Qualquer coisa como isto:
1) O amor é um acidente. Envolve neurotransmissores da última geração ( receptores Mu), olhos suaves e abertos, vontade de sair de casa e de apanhar bocados. É um bocado abocanhado, é o que é.
2) A morte é essencial. Sem ela morreríamos. Um velho viúvo que vê um casal na rua fica com tesão e põe-se a ver telenovelas. É o progresso Medeia fashion.
3) O corpo é uma maçada. Um aluguer de longa duração. Apenas.
4) Os outros são uma parte de nós. Amigos, sogras, irmãos, habitam a mesma cidade entregue a um empreiteiro louco. Somos todos vizinhos, convencidos que nos escolhemos.
5) A sobrevivência é um affair de obsessivos. Dos que fazem a sesta com pijama e comem pornografia infantil. Herdarão a terra ou o que dela sobrar.
O que mais gostei foi re-evocar Montpellier! (eu sempre disse "pe" e não "pê", mas nunca percebi se de facto o 1º accent é dos parisienses e o segundo dos autóctones; ou se não). E re-evocá-lo precisamente com o mesmo calendário em punho: 89. -Não é um sítio agradável, cheio de "outro tipo" de franceses? Senti-me lá muito bem, numa curta estadia de trabalho invernosa, com muito frio, mas cheia de sol. Acho que passeei quilómetros sem dar por ela, e o melhor, melhor, eram mesmo os inevitáveis bifteck "au point", acompanhados de um molho inigualável, "frites" irreproduzíveis e um bom Bordeaux com uns modestos anos em cima. Não é mesmo falta de imaginação? Pois é...mas eu sempre odiei a culinária do sul de França. Ou seria apenas a conversa o que tornava tudo diferente? Ora, ora, quem diria que ia lembrar-me desses tempos agora! Do que menos gosto é de fazer as contas aos anos...
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