O tempo foge. Petrarca mostrou-o muito bem nos seus Remédios, sendo essa, porventura, a sua decisiva mas muito esquecida costela estóica: não lamentes a solidão pois ela pode acabar em breve, não te gabes da companhia porque não tarda estás sozinho. O tempo foge. E foge-nos de forma deliciosa. Quem já viu crescer um filho, ou morrer, satisfeito, um desejo brutal, sabe-o bem. Os artifícios mecânicos ( todo o tipo de gravações e lógicas on-line de contemporaneidade) e idiopáticos ( psicoterapias, rejuvenescimentos estéticos) de que hoje dispomos quase iludem a questão. O culto da juventude, antes sagrado, é hoje uma necessidade natural. Compreendemos bem demais que só nos falta morrer.
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